Opinião

Gestão da transformação da função financeira e fiscal

A IA transforma a função financeira e fiscal, mas o sucesso exige governança de dados, uma cultura transformacional e novos modelos operativos.

A função financeira e fiscal está a deixar de ser uma área de BackOffice para se tornar um motor de criação de valor. As empresas que lideram esta transformação adotam a inteligência artificial (IA) diretamente nos seus processos de negócio. Há, contudo, requisitos críticos para o sucesso.

Acesso, organização e uso de dados

Segundo o estudo “2025 Tax and Finance Operations survey”, da EY, 64% das empresas referem que a maior barreira à transformação da função financeira e fiscal é a inexistência de uma estratégia sustentável de dados e tecnologia. É, por isso, fundamental capacitar os dados da organização para a IA, tendo em conta três dimensões. A primeira é a centralização, substituindo extrações locais e dispersas por um sistema único de registo, que transforma inputs fragmentados num ativo reutilizável. A segunda é a preparação dos dados para a finalidade da função financeira e fiscal desde a origem, e não a sua adaptação no fim do ciclo. A terceira é a governação, com os controlos e as verificações de qualidade necessários. A urgência na gestão de dados é acrescida por um contexto de reporte cada vez mais em tempo real, que permitem às autoridades tributárias validarem o reporte financeiro e fiscal de forma tempestiva.

Progresso em vez de perfeição

As empresas líderes que têm sucesso privilegiam o progresso em detrimento da perfeição. As soluções de IA podem não ser perfeitas, mas, bem utilizadas, superam os métodos anteriores e garantem melhor desempenho.

A cultura transformacional

A transformação exige mais do que tecnologia: exige uma mudança de cultura. Os primeiros a avançar usam a IA para automatizar o máximo possível de tarefas, libertando as equipas para atividades de maior valor acrescentado e mantendo sempre a supervisão humana como garante da qualidade. Esta necessidade de transformação deve ser incutida em todas as equipas e a todos os níveis.

Novos modelos operativos

A tecnologia, por si só, não chega. Existe uma efetiva escassez de especialistas para a função financeira e fiscal, escassez que se estende às áreas de dados e tecnologia. Daí que as empresas líderes encaram novos modelos de organização (como o outsourcing e o co-sourcing) que vêm permitir que as equipas internas se concentrem nas atividades de maior valor acrescentado, viabilizando a transformação pretendida.

Em conclusão

As empresas líderes estão a investir e a adotar IA em todos os seus processos de negócio, em especial na função financeira e fiscal. O sucesso exige investir na prontidão dos dados, manter uma atitude de progresso, assumindo a experimentação como parte do caminho, desenvolver uma cultura transformacional e ponderar modelos operativos que combinem competências internas e externas.

As empresas que percorrem este caminho estão a construir a vantagem competitiva de amanhã.