O inquérito “2025 EY Tax and Finance Operations Survey” confirma uma tendência inequívoca, a função financeira e fiscal está no centro de uma transformação estrutural que está a redefinir prioridades, modelos operacionais e o seu papel na estratégia das organizações. Num contexto marcado por disrupção constante e sem precedentes da tecnologia, pela crescente complexidade regulatória e por um contexto global altamente volátil, estas áreas deixam de ser vistas apenas como funções de reporte e conformidade, passando a assumir uma importância crescente na antecipação de riscos e no suporte à tomada de decisão.
De acordo com o estudo, 81% das organizações planeiam introduzir alterações moderadas a significativas na forma como operam nos próximos dois anos, incluindo nos seus modelos de negócio e cadeias de abastecimento. Esta realidade reflete o impacto direto de fatores como tensões geopolíticas, alterações fiscais globais, por exemplo, a implementação do Pilar Dois, e a necessidade de maior resiliência operacional.
Neste contexto, a tecnologia emerge como o principal catalisador da mudança. Cerca de 86% dos líderes da área financeira e fiscal identificam os dados, inteligência artificial e tecnologia como prioridade estratégica. A ambição é clara, transformar a função financeira e fiscal de um centro de custo e posicioná-la como um motor de perspetiva, antecipação de risco e criação de valor. A utilização de inteligência artificial, em particular, está a permitir ganhos de eficiência e a libertar recursos humanos para atividades de maior valor acrescentado, com várias organizações a projetarem duplicar o tempo dedicado a tarefas estratégicas.
Contudo, a transformação tecnológica não é suficiente por si só. O inquérito evidencia igualmente um desafio crítico ao nível do talento. As organizações estão a reestruturar as suas equipas, privilegiando perfis com competências híbridas que combinem conhecimento técnico com capacidades analíticas e digitais. Este movimento implica um esforço significativo de requalificação, sendo cada vez mais evidente que a escassez de competências adequadas pode comprometer a capacidade de resposta, a conformidade e a qualidade da tomada de decisão.
Outro vetor essencial identificado pelo estudo é a necessidade de repensar os modelos operacionais da função financeira e fiscal. Perante pressões crescentes de custo e complexidade, muitas empresas estão a rever a sua abordagem, incluindo o recurso a modelos de co-sourcing e managed services, com o objetivo de ganhar flexibilidade, acesso a competências especializadas e eficiência operacional. Esta mudança permite à função financeira e fiscal focar-se no que verdadeiramente diferencia: a interpretação, o julgamento e o suporte à decisão estratégica.
Finalmente, o inquérito reforça a importância da agilidade e da transformação contínua como fatores críticos de sucesso. Num ambiente caracterizado por mudança constante e interdependente, as organizações que conseguem integrar flexibilidade nos seus modelos operacionais estão melhor posicionadas para antecipar riscos e criar oportunidades. A função financeira e fiscal, situada na interseção entre dados, risco e estratégia, assume aqui um papel central.
Em suma, o inquérito “2025 EY Tax and Finance Operations Survey” demonstra que o futuro da função financeira e fiscal será marcado pela sua capacidade de se reinventar continuamente. As organizações que adotarem uma abordagem verdadeiramente proativa, suportada por tecnologia, talento e modelos operacionais flexíveis, estarão mais preparadas para transformar disrupção em vantagem competitiva e criar valor sustentável no longo prazo.
