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SAF-T (PT) – Como transformar obrigações em oportunidades

Era uma vez um CFO. Um dia, ao ler uma notícia soturna sobre SAF-T (PT) teve uma visão! Viu para lá da pesada obrigação fiscal que o SAF-T (PT) aparenta ser. Viu a quantidade incrível de dados, prontos a ser analisados. Numa época em que informação é poder, aos seus olhos, esta obrigação transformou-se numa enorme oportunidade!

Pode parecer uma história, mas a obrigação de entrega à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) do ficheiro SAF-T (PT) relativo à contabilidade vai ser uma realidade, e 2019 vai ser o ano.

Foi publicada no passado dia 24 de janeiro a Portaria n.º 31/2019 que vem regulamentar a obrigação prevista no Decreto-Lei n.º 87/2018, de 31 de outubro. É seguro concluir que a Informação Empresarial Simplificada (IES) vai passar a estar pré-preenchida pela AT. A AT vai ter acesso regular à informação extraída dos sistemas informáticos de contabilidade, e isto vai acontecer já em 2019.

O CFO da história decidiu que a área financeira e fiscal da Empresa deveria ter acesso, pelo menos à mesma quantidade de informação que a AT terá sobre a sua Empresa. Depois, decidiu que essa informação deveria ser analisada e tratada em prol do negócio. E assim, ao abandonar a forma tradicional de cumprir com as obrigações fiscais e transformar os ficheiros SAF-T (PT) extraídos dos sistemas de contabilidade e faturação, numa fonte de informação para a gestão, deu um passo determinante na inovação tecnológica dentro da área financeira e fiscal.

Ao estruturar esta nova abordagem aos ficheiros SAF-T (PT), a área financeira e fiscal da sua Empresa começou por:

- Avaliar a situação atual. Conhecer a capacidade atual dos sistemas em produzir e extrair ficheiros SAF-T (PT) com qualidade. Conhecer a natureza e o nível de detalhe da informação extraída, validar a mesma, saber que dados estão a ser analisados, bem como que informação está a ser entregue ou pronta a ser entregue à AT; e

- Aumentar o conhecimento dos dados financeiros e fiscais extraídos dos sistemas, através da sua análise, não apenas na perspetiva dos dados relevantes para a AT, mas também na perspetiva dos dados relevantes para o negócio.

Esta abordagem permitiu-lhes não só regularizar áreas de risco como também aproveitar oportunidades. O SAF-T (PT) passou a ser um ficheiro que é extraído regularmente dos sistemas de contabilidade e faturação para ser analisado numa ótica de gestão, já que permite a análise em tempo real (ou quase real) da informação que consta dos sistemas contabilísticos e de faturação da Empresa.

Esta perspetiva direcionada para a análise de dados numa ótica de gestão do negócio permitiu-lhes passar de uma postura meramente reativa às exigências cada vez maiores, de uma AT cada vez mais digital, para uma postura pró-ativa de planeamento, resposta, prevenção e reação esclarecida, conhecedora e informada, quer perante a AT, quer perante investidores, bancos, acionistas ou outros interessados e todos os demais stakeholders.

Será que é só uma história? Pode ser a sua…depende de si ter um final feliz.

Estas novas obrigações fiscais digitais devem deixar de ser vistas apenas como um peso para os contribuintes e devem passar a ser enquadradas como oportunidades!

A quantidade de informação tem crescido exponencialmente, a complexidade das transações também. A análise e o tratamento da quantidade imensa de dados que o SAF-T (PT) encerra é uma poderosa ferramenta de gestão.

É importante ver para lá do mero cumprimento de obrigações fiscais!